Trabalhando o genocídio armênio a partir de músicas em sala de aula

Por Caio Dimarzio e Alan Morais*

*A seguir temos resultados de uma pesquisa sobre a presença do Genocídio Armênio em músicas da banda System of a Down, realizada como Iniciação Científica de Ensino Médio no Cotuca/Unicamp. Além de reflexões e fontes de pesquisa, há propostas para trabalhar a temática em sala.

Em tempos de conflitos sociais, culturais e religiosos, vale a pena relembrar e discutir em sala de aula um dos maiores genocídios da história da humanidade: o genocídio armênio. O evento ocorreu entre 1915 e 1923, executado pelo Império Turco-Otomano contra o povo armênio. Estima-se que dois terços da população armênia da época tenha sido exterminada durante esse período. Muitos dos sobreviventes tiveram que deixar o país para salvar suas vidas. Até os dias de hoje, governo após governo desde que a atrocidade foi cometida, a Turquia nunca admitiu culpa pelo Genocídio, o que “iniciaria um processo de cicatrização entre estes dois povos que durante séculos foram vizinhos” (HINTLIAN, 2003).

Atualmente, entre os ativistas sobre o assunto está a banda System of a Down. O grupo de rock americano conta exclusivamente com integrantes de origem armênia, com famílias que sofreram diretamente com o genocídio. A banda mantém suas relações de identidade com o território de origem de seus integrantes, compondo pressões internacionais pelo reconhecimento e pedido de desculpas oficial por parte da República da Turquia.

Para saber mais sobre o genocídio:

A banda System of a Down sempre buscou espalhar pelo mundo a causa armênia e sempre reivindicou junto com todos os órgãos e pessoas que não se conformam com o fato por uma retratação turca e que eles assumam a culpa por todo o mal que fizeram ao povo da Armênia. Em 2015 a banda fez uma turnê mundial no ano simbólico de 100 anos do Genocídio Armênio. A turnê foi chamada de “Wake up the souls”, fazendo referência às almas de todos os armênios inocentes mortos no genocídio.

Em 23/4/2015, foi realizado um show gratuito em Yerevan, na Armênia, na Republic Square, em frente ao Monte Ararat, símbolo da tomada de território dos turcos, pois o Monte originalmente era parte do território e ponto turístico armênio, mas após o Império Otomano, o povo armênio nunca conseguiu recuperar essas terras dos turcos. Uma frase marcante do guitarrista Daron Malakian antes do início de uma das músicas foi:
This is not a Rock’n Roll concert. To our murderers, this is REVENGE!” (Isso não é um concerto de Rock’n Roll. Para os nossos assassinos, isso é VINGANÇA!”).

Genocídio nas letras da banda System of a Down

Analisamos diversas letras, relacionando-as com os ocorridos no genocídio armênio. Com os dados levantados, criamos essa publicação com a proposta de facilitar o uso dessas músicas para tratar do tema em processos de ensino-aprendizagem.

Entre as letras analisadas, destacam-se alguns conteúdos sobre o genocídio. A letra de “P.L.U.C.K.” — (sigla que, traduzida, seria algo como “Assassinos covardes, profanos, politicamente mentirosos”, música do disco System of a Down) retrata a visão de um armênio no meio de todo o genocídio, contando como foi montado um Plano de Extermínio, como foram tomadas as crianças das famílias e em como aniquilaram cada cidadão armênio. Ainda nessa música, o que seria a voz de um armênio clamando por uma restituição, por uma revolução armênia como a única solução para o problema — em tradução livre, alguns trechos destacados: “O plano foi montado e chamado de Genocídio / Levaram todas as crianças e então nós morremos / Os poucos que ficaram nunca mais foram achados […] Revolução, a única solução / A resposta armada de uma nação inteira”.
P.L.U.C.K. traz, ainda, a exigência por “reconhecimento, restauração, reparação” por parte do governo turco — o que não houve até hoje.

Confira a letra de PLUCK.

Na letra de “Mind” (mesmo disco), os músicos ironizam uma fala supostamente turca que justificaria o genocídio: “Pensadores livres são perigosos…”

Confira a letra de Mind.

Na música “Armenian Genocide”, a letra reproduz a fala de um armênio que estaria em um dos comboios do governo turco, supostamente para a Armênia, mas que poucos chegariam ao destino. Ela diz, em tradução livre “Eu não quero acampar / não quero sangrar”.

Confira a letra de Armenian Genocide.

Outra passagem importante é encontrada na música “X” (disco Toxicity), em um diálogo cobrando o governo turco pelas responsabilização quanto ao genocídio — e a necessidade de ampliar o conhecimento mundial sobre o ocorrido: “Mostre ao seu povo / Mostre ao seu povo como nós morremos / […] Pergunte ao seu povo / Pergunte ao seu povo o que é certo”.

Confira a letra de “X”.

O trabalho com músicas permite um diálogo transdisciplinar (no caso, vinculando trabalho de Inglês, História, Geografia e Artes) a ser realizado em atividades pedagógicas, para possibilitar o tratamento de temas complexos como o Genocídio armênio. No caso específico, o uso das letras da banda System of a Down como ferramenta de auxílio ao ensino do tema poderia ser, a depender do contexto da escola e do perfil dos alunos em questão, uma maneira lúdica e atrativa para o ensino-aprendizagem da temática.

Após uma aula trabalhando as músicas, ressaltando alguns trechos e introduzindo o tema, entre possibilidades de atividades posteriores, elencamos algumas:

  • propor aos alunos pesquisarem sobre a origem da banda e tentar se colocar no lugar dos descendentes armênios;
  • propor pesquisas sobre a situação atual da luta pelo reconhecimento do genocídio pelo governo Turco;
  • propor pesquisas sobre os discursos dominantes na Turquia sobre o ocorrido.

Referências

AITIKEN, Paul. Attack/Affect: System of a Down and Genocide Activism. Musicultures, v. 38, 2011.
HINTLIAN, George. El genocidio armenio. Historia y política: Ideas, procesos y movimientos sociales, n. 10, 2003, págs. 65-94.
MELO, Alessandra. System of a Down: manifestações acerca do genocídio armênio. II Congresso Internacional de Estudos do Rock. Anais… Unioeste, 2015.
SPINELLI, Daniela. Reflexões sobre memória, esquecimento e recalque do genocídio armênio. Revista de Estudos em Línguas e Literatura. v. 13, 2011.
SUMMA, Renata de Figueiredo. Vozes armênias: Memórias de um genocídio. Revista Ética e Filosofia Política, v. 10, n. 1, 2007.

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Pessoas antes do lucro [Curta, Professor #12]

Continuando a série sobre a Copa de 2014 e as implicações às cidades brasileiras, o vídeo abaixo demonstra que as remoções forçadas ligadas aos megaeventos esportivos e outros grandes projetos urbanos não são uma especificidade brasileira, mas uma tendência global. O vídeo demonstra acontecimentos de 11 países, como Brasil, Nigéria e Camboja.

Pessoas antes do lucro (People Before Profit)
Documentário  | 2012 | 11 min.
Witness

O vídeo discute as contradições dos grandes projetos que se dizem de “desenvolvimento”, mas que têm grande impacto às pessoas que vivem em suas proximidades, especialmente no caso das remoções forçadas.

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Marcelo Freixo, Raquel Rolnik, Ermínia Maricato e Orlando Silva Jr. falam sobre os megaeventos esportivos e as implicações às cidades brasileiras

Avançando na discussão sobre a Copa de 2014 e as implicações às cidades brasileiras, compartilhamos três interessantes falas de pessoas envolvidas no debate no Brasil, com vistas a contribuir para a formação dos professores em relação ao tema.

  • Orlando Santos Jr. é doutor em planejamento urbano e pesquisador do Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano (IPPUR) da UFRJ.
  • Raquel Rolnik é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada.
  • Ermínia Maricato é urbanista, também professora da FAU/USP e foi Secretária Executiva do Ministério das Cidades até 2005.
  • Marcelo Freixo é professor de história e deputado estadual no Rio de Janeiro.

Esses vídeos permitem que os professores interessados se aprofundem no entendimento dessa dinâmica e dos problemas envolvidos, além de compreender melhor o planejamento urbano e a realidade das cidades no país. Também fornece diversos exemplos concretos para discussão:

“Esporte, Paixão e Negócio”
Fala de Orlando Santos Jr. (31min)

 

“Esporte, Paixão e Negócio”
Fala de Raquel Rolnik (36min, inicia em 6min)

 

“Copa: Paixão, Esporte e Negócio”
Fala de Ermínia Maricato (30min)

 

“Megaeventos e Violação dos Direitos Humanos”
Fala de Marcelo Freixo (28min)

( para os professores que desejarem fazer download dos vídeos para exibição, recomendamos o website keepvid.com )

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Carlos Vainer fala sobre megaeventos esportivos e planejamento [Curta, Professor #11]

Para complementar a formação do professor quanto às implicações da Copa do Mundo de 2014, dos Jogos Olímpicos de 2016 e outros megaeventos esportivos à reorganização das cidades brasileiras, compartilhamos essa entrevista do Prof. Dr. Carlos Vainer, do IPPUR/UFRJ, a Juca Kfouri.

A entrevista é uma verdadeira aula das tendências atuais do planejamento urbano e de como os megaeventos esportivos se tornaram uma estratégia importante da lógica de cidade-mercadoria, competição entre cidades e city marketing.

A depender dos objetivos, alguns trechos podem ser selecionados para transmissão aos estudantes (especialmente nas aulas de Geografia – Urbanização e de Atualidades, ou em projetos temáticos sobre planejamento e rumo das cidades brasileiras).

Prof. Carlos Vainer fala sobre Megaeventos no programa Juca Entrevista
Entrevista  | 2012 | 52 min. | ESPN

O Prof. Dr. Carlos Vainer, professor pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano – IPPUR/UFRJ foi convidado a falar sobre as transformações nas cidades em decorrência dos Megaeventos Esportivos que estão marcados para acontecer no Brasil e no Rio de Janeiro com a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Veja mais sobre a obra do Professor Carlos Vainer:

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Domínio Público [Curta, Professor #10] – implicações da Copa às cidades brasileiras

Seguindo em nossa série sobre as implicações da Copa do Mundo de 2014 e de outros megaeventos esportivos às cidades brasileiras, apresentamos mais um documentário importante: Domínio Público. Esse projeto foi viabilizado por financiamento coletivo e traz diversas informações importantes da população atingida por remoções com as obras da Copa.

É outra boa síntese para quem tem pouco tempo em aula para discutir o tema – A Caminho da Copa é mais uma opção para esses casos.

Domínio Público
Documentário  | 2012 | 18 min.
Paêbirú Realizações Cultivadas 

Esse documentário começou a ser filmado em 2011, de forma independente, com pouquíssimo recurso conseguido através da produção de um evento cultural. A equipe abriu mão de seus salários e os equipamentos foram cedidos gratuitamente. Percorremos as comunidades do Vidigal, Vila Autódromo, Providência, toda a Zona Portuária do Rio de Janeiro e o Maracanã, obtendo diversas imagens, entrevistando muitos moradores, participando de reuniões, debates e conflitos. Além disso, entrevistamos o professor Carlos Vainer do IPPUR/UFRJ, pesquisador de megaeventos, o Deputado Estadual Marcelo Freixo e o Deputado Federal Romário.

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Copa 2014: Quem ganha com esse jogo? [Curta, Professor #9] – implicações da Copa para as cidades brasileiras

Em mais uma contribuição para a discussão das implicações da realização da Copa do Mundo para as cidades brasileiras na escola, recomendamos aos professores a exibição do documentário Copa 2014: Quem ganha com esse jogo?. Este vídeo é uma compilação realizada com partes de vídeos gravados por moradores, videoativistas e outros agentes em defesa da resistência contra a violação de direitos humanos no contexto internacional dos megaeventos.

Copa 2014: Quem ganha com esse jogo?
Documentário  | 2013 | 11 min.
Portal Popular da Copa

O vídeo foi exibido em reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Denuncia as remoções e o desrespeito aos direitos humanos dos moradores de áreas impactadas pelas áreas envolvidas pelas obras da Copa do Mundo 2014.

Acesse também o Portal Popular da Copa.

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A caminho da Copa [Curta, Professor #8] – Implicações da Copa para as cidades brasileiras

Seguindo a discussão das implicações da realização da Copa do Mundo para as cidades brasileiras na escola, recomendamos aos professores a exibição do documentário A caminho da Copa:

A Caminho da Copa
Documentário  | 2012 | 26 min.
De Fulô Filmes

Realização: Ponto de Mídia Livre do Instituto Pólis (polis.org.br)
Direção, Fotografia e Produção: Florence Rodrigues, Carolina Caffé
Montagem e Finalização: Rodrigo Piza Levy, Caio Romano Guerra

O documentário “A Caminho da Copa” aborda a diversidade de opiniões a respeito dos impactos, positivos e negativos, da preparação do grande evento esportivo no cotidiano do país, buscando contribuir para que o legado social da Copa fortaleça o máximo possível o Direito Humano à Cidade nas principais regiões envolvidas com a recepção do evento.

 

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Práticas educativas em Ensino de Geografia: (re)criando os documentos curriculares

Nos dias 16 e 17 de agosto (2013) ocorrerá a 3º edição do Encontro Regional de Ensino de Geografia – Campinas, na Unicamp.

Após doze anos de interrupção, a AGB – Seção Campinas, o Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da Unicamp, o Centro Acadêmico de Geografia e Ciências da Terra (CACT) e o PIBID-Geografia retomam a realização dos Encontros Regionais de Ensino de Geografia, agora em sua terceira edição, a ser realizado nos dias 16 e 17 de agosto de 2013, na Unicamp.

Ao longo desse tempo (2001-2013), a Educação e a Geografia Escolar passaram por inúmeras transformações, resultado tanto das políticas educacionais e curriculares implementadas quanto do uso cada vez mais frequente das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TEDIC) em sala de aula. Refletir sobre os impactos de tais transformações nas práticas pedagógicas e curriculares no Ensino de Geografia na Educação Básica em Campinas e região é o principal objetivo do III Encontro Regional de Ensino de Geografia – Campinas.

No Encontro, também se procura elucidar e refletir sobre as propostas curriculares alternativas e mesmo insurgentes desenvolvidas nas práticas cotidianas do ensino de Geografia dos sujeitos praticantes escolares, bem como fomentar a formação continuada dos professores das redes pública e privada de ensino, aproximando as atividades escolares às acadêmicas desenvolvidas na Unicamp e, ao mesmo tempo, incentivar o interesse por parte dos alunos de graduação em Geografia (Licenciatura e Bacharelado) e da pós-graduação da Unicamp para o desenvolvimento de pesquisas sobre Geografia Escolar e a promoção de integração com as escolas públicas.

Para inscrever-se e participar, visite a Página no Facebook e o website do evento:

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Formação política e geografia: uma proposta para o ensino médio

A Revista Brasileira de Educação em Geografia publicou um texto meu e do Elias Souza: Formação política, representações sociais e geografia: uma proposta para o Ensino Médio. O texto é resultado da experiência de uma Oficina de Formação Política que realizamos no Colégio Técnico da Unicamp (Campinas/SP) em 2010.

O presente artigo apresenta uma proposta de projeto de formação política realizado para estudantes do ensino médio, a partir de uma abordagem dialética e com foco no método utilizado para planejamento e preparação das atividades, baseado na teoria das representações sociais.

Para além de um relato de experiência, o artigo pretende contribuir com um caminho de método para a elaboração de atividades de formação política, a partir das representações sociais.

O texto está  disponível na íntegra no site da Revista. Em breve escreveremos mais sobre a experiência aqui no Futuro Professor.

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A questão das cotas nas universidades

As cotas nas universidades estão novamente em pauta no Brasil em função do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, da ação contra as cotas proposta pelo partido de direita brasileiro Democratas. Para iniciarmos esse debate também aqui para o Futuro Professor, compartilho alguns textos e reflexões sobre o assunto.

Admiro bastante a clareza dos textos do escritor Alex Castro sobre o assunto. São textos leves, bem escritos e bem humorados. Recomendo todos, mas destaco quatro:

1) E existe isso de Raça?

Não importa se um fato é verdadeiro ou não, e sim seu impacto na sociedade. Se todas as pessoas acreditarem que os canhotos são perversos e devem ser mortos, isso vai causar um forte impacto social – independente da veracidade da crença. O governo impedir as pessoas de discriminarem os canhotos, ou passar leis ajudando-os, não quer dizer que ele está confirmando que os canhotos são de fato um grupo à parte, ou que são coitadinhos inferiorizados chorões incompetentes que precisam de ajuda extra, mas simplesmente que o tal mito social colocou-os em uma situação difícil que deve ser remediada.


Ali Kamel, um dos cabeças da Globo, é o grande propagador da “tese” de que não há raça e, portanto, não haveria racismo no Brasil. De Arnaldo Branco

2) A invisibilidade do racismo

Em uma sociedade racista e desigual como o Brasil, afirmar não ver raça, não ligar pra raça, que raças não existem, que isso não tem importância, “que besteira você se importar com isso”, etc, significa na prática tomar partido racialmente ao se aliar com a hegemonia invisível que precisa desse tipo de negação para sobreviver e prosperar.

 

3) Brasil, meritocracia de todos

Sabem por que o Brasil não é um país meritocrático? Porque ninguém faz o caminho inverso. Sim, é possível que um favelado brilhante se torne presidente de empresa. Mas e as antas bem-nascidas?

 

4) O Peso da História: A Escravidão e as Cotas

Sem esse capital socio-econômico e cultural acumulado pelo meu bisavô em 1888 (para não irmos mais longe), onde teria ido parar a cadeia de acontecimentos que desembocou na minha vida? Dentre minhas realizações, quantas são exclusivamente por mérito meu e quantas são consequência direta da vida privilegiada que eu e meus antepassados levamos? Que tipo de dívida EU tenho com as pessoas que não tiveram tanta sorte?

Assim é fácil ser contra as cotas…

Leia a série completa sobre Racismo, de Alex Castro.

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A partir da tirinha do genial André Dahmer, vamos repensar valores?

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Outro projeto interessante para uma reflexão sobre o racismo em nossa sociedade é o Classe Média Sofreum site (tumblr) bastante pedagógico, que ironiza os comentários que exalam preconceitos da classe média brasileira publicados na rede. O site está fazendo uma cobertura especial do racismo nas redes sociais em função do julgamento das cotas, e os resultados são bastante ilustrativos do pensamento racista dominante.

É assim que reage a classe média brasileira…
Charge por Laerte

O que você pensa sobre o assunto? Leia os textos acima e vamos debater!

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Aproveite e leia também:

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