A questão das cotas nas universidades

As cotas nas universidades estão novamente em pauta no Brasil em função do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, da ação contra as cotas proposta pelo partido de direita brasileiro Democratas. Para iniciarmos esse debate também aqui para o Futuro Professor, compartilho alguns textos e reflexões sobre o assunto.

Admiro bastante a clareza dos textos do escritor Alex Castro sobre o assunto. São textos leves, bem escritos e bem humorados. Recomendo todos, mas destaco quatro:

1) E existe isso de Raça?

Não importa se um fato é verdadeiro ou não, e sim seu impacto na sociedade. Se todas as pessoas acreditarem que os canhotos são perversos e devem ser mortos, isso vai causar um forte impacto social – independente da veracidade da crença. O governo impedir as pessoas de discriminarem os canhotos, ou passar leis ajudando-os, não quer dizer que ele está confirmando que os canhotos são de fato um grupo à parte, ou que são coitadinhos inferiorizados chorões incompetentes que precisam de ajuda extra, mas simplesmente que o tal mito social colocou-os em uma situação difícil que deve ser remediada.


Ali Kamel, um dos cabeças da Globo, é o grande propagador da “tese” de que não há raça e, portanto, não haveria racismo no Brasil. De Arnaldo Branco

2) A invisibilidade do racismo

Em uma sociedade racista e desigual como o Brasil, afirmar não ver raça, não ligar pra raça, que raças não existem, que isso não tem importância, “que besteira você se importar com isso”, etc, significa na prática tomar partido racialmente ao se aliar com a hegemonia invisível que precisa desse tipo de negação para sobreviver e prosperar.

 

3) Brasil, meritocracia de todos

Sabem por que o Brasil não é um país meritocrático? Porque ninguém faz o caminho inverso. Sim, é possível que um favelado brilhante se torne presidente de empresa. Mas e as antas bem-nascidas?

 

4) O Peso da História: A Escravidão e as Cotas

Sem esse capital socio-econômico e cultural acumulado pelo meu bisavô em 1888 (para não irmos mais longe), onde teria ido parar a cadeia de acontecimentos que desembocou na minha vida? Dentre minhas realizações, quantas são exclusivamente por mérito meu e quantas são consequência direta da vida privilegiada que eu e meus antepassados levamos? Que tipo de dívida EU tenho com as pessoas que não tiveram tanta sorte?

Assim é fácil ser contra as cotas…

Leia a série completa sobre Racismo, de Alex Castro.

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A partir da tirinha do genial André Dahmer, vamos repensar valores?

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Outro projeto interessante para uma reflexão sobre o racismo em nossa sociedade é o Classe Média Sofreum site (tumblr) bastante pedagógico, que ironiza os comentários que exalam preconceitos da classe média brasileira publicados na rede. O site está fazendo uma cobertura especial do racismo nas redes sociais em função do julgamento das cotas, e os resultados são bastante ilustrativos do pensamento racista dominante.

É assim que reage a classe média brasileira…
Charge por Laerte

O que você pensa sobre o assunto? Leia os textos acima e vamos debater!

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3 respostas para A questão das cotas nas universidades

  1. alooin disse:

    No caso de um branco pobre que faz os pontos necessários para a aprovação e é preterido por um negro pobre ou, muito pior, por um negro rico favorecido pelas cotas, onde fica a proteção da dignidade humana? E o direito desse indivíduo? É mais um caso de quebrar uns ovos para fazer o omelete? Seria legítimo então submeter esse branco pobre a tamanha violência por algo que ele não tem culpa de ter acontecido e por ele não ter uma cor de pele que não pôde escolher?

    No Brasil não se respeita o sujeito. Somos tratados como gados, em grupos, sem identidade pessoal. Só assim para achar justo violentar alguém de tal forma para favorecer outrem.

  2. Inácio disse:

    alooin, discordo. vou usar o que o próprio autor dos textos (Alex Castro) escreveu no face:

    Alex Castro: Por que não cotas para pobres? , alguns perguntam.
    Porque a sociedade brasileira é tão racista e tão estruturada para beneficiar o branco que, via de regra, programas de auxílio aos pobres que não tenham um componente especificamente racial acabam beneficiando desproporcionalmente os pobres brancos sobre os pobres negros, algumas vezes até mesmo aumentando as desigualdades raciais.

    eu vi isso no Prouni em minha faculdade, quando vários amigos brancos-não-pobres obtinham o recurso, e meus amigos negros, pobres de verdade, não. não sei se é um bom exemplo, mas taí

  3. Fillipi disse:

    a questão é, acha realmente que uma pessoa precisa de privilégios apenas por possuir um tom de pele diferente de outra?
    acha certo que e uma decisão juta tirar a vaga de uma pessoa que se esforça e luta pela vaga, pelo simples fato de que alguém que tem uma cor de raça diferente obter este privilegio com provavelmente muito menos esforço e empenho?
    acha que alguém que entrou em uma faculdade por um simples cota, vai dar tanto valor a vaga quanto alguém que lutou estudou e se esforçou para obtê-la?
    vagas devem ser obtidas por puro e simples mérito e não por diferenças no tom de pele.

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