Pesquisa aponta que computador não influencia o desempenho do aluno

...

Na coluna de Gilberto Dimenstein de terça-feira, ele noticia: Computador não influencia no desempenho do aluno. Veja um trecho do artigo:

“O uso do computador em atividades escolares quase não interfere no rendimento do aluno em sala de aula, comprova a pesquisa “Os determinantes do desempenho escolar no Brasil”, realizada por Naércio Menezes, especialista em educação da USP (Universidade de São Paulo). “No ensino médio, o coeficiente de variação de desempenho dos que usam a máquina foi de 0,03”, explicou.

(…) As informações aparecem no momento em que o Governo Federal implanta o projeto-piloto “Um Computador por Aluno” (UCA). A proposta é levar equipamentos portáteis para estudantes e professores de ensino básico da rede pública. (…)”

O artigo não vai mais longe. Deixa no ar uma possível conclusão de que os programas de inclusão digital na escola e de uso do computador pedagogicamente seriam inúteis, que o computador não acrescenta ao aprendizado – ou soma muito pouco. O que vocês acham?

Logo trarei minhas considerações, como fiz anteriormente.

Atualização (03.01.07): Acho bastante lógico afirmar que o computador, sozinho, não faz milagre na educação. Muito boa a nova colaboração do Ricardo Righetto, com o link do Aprendiz (já adicionado abaixo). De fato, o estudo é importante para nos trazer um “norte” nas discussões de computador nas escolas. Particularmente, confio no poder do computador como ferramenta de ensino, acho que a inclusão digital é importante, por diversos motivos… afinal, estamos em uma nova era. Mas sem programas de preparação de professores e desenvolvimento de softwares educativos em conjunto com essa difusão do computador, não adianta cobrar resultados da informatização das escolas.

Discordo do André Kenji sobre esse tipo de ação não valer a pena por ser de alto custo e pela necessidade de planejamento. A inclusão digital é socialmente importante hoje, os conhecimentos em informática são cobrados em qualquer área, seja em grande parte do mercado de trabalho, seja no meio acadêmico. Daí pra melhorar o desempenho dos alunos, é outra história. Como já disse, somente se utilizado de modo planejado (e, sim, isso é possível) e focado no ensino, como ferramenta do aprendizado, pode ajudar – mas não é a “solução”. E vamos deixar claro: a construção de bibliotecas sem planejamento e sem incentivo aos alunos também não resolve nenhum problema.

Essas conclusões me trazem, também, dúvidas sobre a eficiência do Ensino a Distância. Mas isso é assunto para outro dia…

Artigos relacionados:

Leia mais:

. . . . .

Agradecimentos ao leitor Ricardo Righetto pelo envio da matéria. Também agradecemos todos que têm enviado notícias e artigos! Escreveremos sobre eles assim que possível.

Esta entrada foi publicada em Todos os artigos. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

26 respostas para Pesquisa aponta que computador não influencia o desempenho do aluno

  1. Pingback: Pesquisa aponta que computador não influencia o … | Pilka

  2. Ricardo Righetto disse:

    De fato o artigo explorou muito pouco a idéia apresentada. Não fica claro se foi levada em conta a forma como o computador era utilizado pelos alunos (se usavam para pesquisa escolar, leitura de notícias, enciclopédias, etc) ou se foi considerado apenas “alunos que possuem computador” ou “que utilizam frequentemente”. Eu sou da opinião de que o computador pode contribuir muito para o aprendizado, se forem utilizados canais de informação adequados. Agora, se a pesquisa não distingue quem usa computador pra estudo e quem usa só pra entrar no Orkut, é meio óbvio que o simples fato de o estudante ter acesso à máquina não vai representar um acréscimo na sua formação por este levantamento.

  3. Ricardo Righetto disse:

    Atualizando meu post, pelo que consegui descobrir a pesquisa foi realizada com relação ao uso de computadores durante as atividades escolares, o que esclarece um pouco mais as coisas, mas não o suficiente. Se alguém encontrar mais detalhes da pesquisa, por favor poste aqui!

    http://aprendiz.uol.com.br/content.view.action?uuid=8ffa291a0af470100140984b48fce188

  4. André Kenji disse:

    Isso não é a coluna do Dimenstein. É uma notícia(Creio eu da Folha) que ele publicou lá.

    Eu acho que pelo custo que isso exige, além de exigir um belo planejamento(Coisa que ninguém faz), os resultados são pequenos. Investir em bibliotecas seria mais vantajoso.

  5. Andrea Poca disse:

    Acho que somente o Computador não melhora o desempenho de ninguém. O computador é mais uma ferramenta. O importante é sim o Professor que está com o aluno, a família que vai dar o suporte para o aluno e a escola. De resto tudo é ferramenta !

  6. André disse:

    André Kenji, quis dizer sua coluna na internet. Ele de fato noticiou lá o que eu trouxe para este artigo. Ah, creio que essa sua obsessão por bibliotecas vai acabar te cegando em alguns pontos 😉

      De resto, comento no artigo mais tarde.

    • André Kenji disse:

      André

      Eu pessoalmente me abstenho em ler a coluna do Dimenstein. Mas acho que ele tem um ponto aí, até por quê não vi ninguém demonstrar com estudos que “inclusão digital” melhora o desempenho dos alunos(E aí temos um bom tema para quem quer fazer mestrado, não?).

      E minha obsessão com bibliotecas é por quê eu acho que acesso fácil â livros é mais importante que acesso fácil ao Orkut(Devo estar errado), e que bibliotecas podem muito bem fazer tanto o acesso à pesquisa online quanto offline.

    • Andrea Poca disse:

      André,
      Já tinha lido essa notícia em outro lugar ! E acho o que sempre achei: nada substitui um ótimo professor ! O computador, os blogs, a internet ,… são só mais algumas ferramentas valiosas, que na mão de profissionais competentes fazem milagres. Mas o computador sozinho não dá conta de formar uma pessoa . Beijos

    • Pingback: Contos da Escola » Wiki In Education - Resenha do wiki-book de Stewart Mader

    • André Kenji disse:

      André

      1-) Por favor, caramba, pelo amor de Deus, me chama de André.

      2-) E se a questão é do mercado de trabalho, beleza. Retomemos o ensino profissionalizante: daí sim o computador poderia ser utilizado de forma eficiente.

      E note que não sou contra o computador. Só acho que em sala de aula ele tem uso mais limitado(Até por quê ela é uma ferramenta que tende a render mesmo trabalhada com liberdade) que parece.

    • André disse:

      André Kenji, corrigido seu problema do nome 😉
      Não é uma questão de mercado de trabalho, apenas, mas a inclusão digital no mundo globalizado, não pensando exclusivamente no mercado de trabalho, é imprescindível pra uma inclusão social mesmo, para acesso à informação e tudo mais. Recomendo o texto da Débora sobre os wikis, são uma pequena amostra de como a coisa, se bem pensada, pode colaborar.

    • André Kenji disse:

      André

      Se os alunos tem acesso ao computador, eles vão naturalmente saber fazer essa inclusão. Numa escola que trabalhei ano passado em Jundiaí, apesar de ninguém ter conseguido fazer um trabalho via blogger que pedi opcionalmente, eles usavam email e discutiam sobre o assunto.

      E eu sou da opinião que se deve incluir o aluno ensinando-o a argumentar, escrever e fazer contas. Aí sim ele vai conseguir a tal inclusão num mundo globalizado, ele vai saber argumentar e pensar quando necessário. E isso pode ser feito sem computadores.

      Eu acho que o que a Débora fala de wikis é interessante, mas no mundo real muitos professores proibem a entrega de trabalhos digitados por quê os alunos copiam da internet. Claro, muitos ainda pedem trabalhos com temas estáticos(Tipo, a biografia de Alexandre Volta), aonde se pode simplesmente puxar o trabalho pronto na Wikipédia.

      Essa própria discussão sobre plágio, originalidade e pesquisa na internet eu nunca vi. É um buraco mais fundo do que parece. E capacitação, além de ser cara para dedéu, não vai fazer que um professor que mal sabe ligar o micro conseguir coordenar atividades na internet.

    • Maria de Fátima Sampaio disse:

      O competador na escola, serve para apoiar a investigação e a construção de conhecimentos, e não para formar usuários. E a introdução do ambiente on line na escola não deve desconsiderar que o aluno é parte de um contexto social e ali está para interpretar este mundo e atuar produtivamente, auxiliado pelas novas tecnologias da informação e comunicação.

    • Marcelo Duarte disse:

      Esperar que o computador melhore o desempenho do aluno é como esperar que a matemática melhore o desempenho do aluno em português. Pode até funcionar, se for trabalhada a interdisciplinaridade das matérias, e assim, nesse contexto, o computador pode melhorar o desempenho do aluno, desde que seja uma ferramenta usada de forma adequada.
      O Governo Federal não está preocupado se o computador vai melhorar desempenho escolar, pois inclusão digital não tem nada a haver com isso. O importante, nesse momento, é fazer com que todos tenham acesso a essa tecnologia, pois se não houver tal integração, estaremos contribuindo para uma maior exclusão social. Hoje, com raras exceções, quem não sabe nada de informática, já está fora do mercado de trabalho.

    • Rogerio disse:

      O Marcelo resumiu de forma ponderada sobre o uso do computador no aprendizado. O computador deve ser apenas o estimulo em que tanto os educadores quanto os alunos devem ter para que estejam engajados no contexto atual do mundo globalizado mesmo sem a pretenção de almejarem uma carreira promissora ou que o computador possa melhorar o rendimento escolar mas, o fato é que dentro deste contexto esses alunos inclusos estarão de fato inseridos e essa inserção os libertarão das diferenças socias grandissimas em nosso país. Dentro ou fora de uma biblioteca temos assuntos relevantes ou não, mas isso não importa o que realmente nos interessa é que seja sempre dado o caminho e a possibilidade de acesso a cultura e que atinjam uma parcela cada vez maior onde possamos refletir e diante desta reflexão extrairmos nossas convicções.

    • Anderson Escarabelo disse:

      É claro que o computador não influencia ninguém, mas fechar os olhos sobre as possibilidades de aprendizado que ele permite é inocência.
      Imaginemos a seguinte situação: um professor pedindo a seus alunos uma pesquisa sobre “Índios”.
      Vinte anos atrás, o retorno seria frases copiadas de uma enciclopédia desatualizada e uma completa desmotivação para realização do mesmo.
      E hoje? Tente escrever “tribos indígenas” no querido Google. Eu fiz isso e recebi mais de 235.000 link’s relacionados ao assunto.
      Tudo bem, existem ainda vários problemas educacionais (herdados da época em que o computador ainda não era comum) mas fazer uma inquisição com as arrobas, sites, blog’s, comunidades, mensageiros, etc.. não vai adiantar nada. Resta aos profissionais da educação, atuais e futuros, abrirem seus olhos à maravilhosa explosão tecnológica ou serão simplesmente sacrificados por aqueles que já nasceram com um blog e uma comunidade do Orkut.
      Abraços a todos!

    • AnferTuto disse:

      Hola mardena!
      falikotrepat

    • Manuel Russo disse:

      Não tenhamos dúvidas sobre a importância das novas tecnologias da informação e comunicação.
      Não será por enfiarmos a cabeça na areia e negando a sua importância que resolvemos o que quer que seja. Eu em vez disso propunha que nos preparássemos a nós professores para pordermos acompanhar os nossos alunos e se possível ajudarmos de forma colaborativa a prepará-los para a sociedade da informação e do conhecimento.
      A tecnologia está aí, é uma realidade que muda os nossos hábitos diários e faz-nos questionar sobre a mudança de processos que necessitamos de operar na educação
      Boas Reflexões

    • Paty disse:

      triiiiiiiiiiii legal

    • Sou obrigado a discordar da afirmação de que o computador não influencia o desempenho do aluno, pois sou pesquisador de Informática Educacional há alguns anos, por conta própria, e no ano passado, defendi TCC de Pedagogia falando dos benefícios do computador por crianças de três a seis anos na Educação Infantil, no qual obtive a nota máxima.
      O trabalho envolvia pesquisa de campo, e todas as crianças tiveram percepção, atenção e memória aprimorados, tornando-se melhores leitoras do mundo em que vivem.
      Este ano, estou defendendo uma proposta curricular de Informática para o Ensino Fundamental, onde na pesquisa de campo, estou obtendo também sucesso no aprimoramento dos sentidos dos alunos, o que propicia avanços maiores no desempenho escolar dos alunos.
      Em suma, acredito que cada prática vivenciada pelos alunos faz com que eles cresçam e se tornem melhores. é impossível dizer que um contato físico empirista como a manipulação de um computador não seja benéfica ao ponto de ajudar na conscientização dos alunos de Educação Básica. Também acrescento conteúdos relacionados à tecnologia cotidiana em minhas aulas, pois acredito que as aulas de Informática sejam o ambiente perfeito para contextualizar digitalmente os alunos, portanto, aulas de Informática com conteúdo curricular pré-estabelecido é um grande auxiliar da realização de projetos interdisciplinares, que devem ficar a cargo do professor da disciplina que originou o projeto. O professor de Informática deve apenas instrumentalizar os alunos, para que eles possam ser independentes.
      Não penso que o computador seja dispensável, pois ele está em todos os segmentos da sociedade, mas acredito que ele seja MAIS UM INSTRUMENTO QUE DEVE SER UTILIZADO NA ESCOLA, onde o ser humano aprende a usar o equipamento com CRITICIDADE. Então, coloco uma pergunta: que tipo de DESEMPENHO que se está sendo colocado em questão? Pois, a meu ver, o desempenho dos alunos evolui a cada dia usando o computador!!!!! Analisem que a educação não oferece um único aspecto a ser analisado como DESEMPENHO… PORTANTO, PESQUISADORES, CUIDADO… SEJAM CLAROS E DELIMITADORES DOS SEUS CONCEITOS E PESQUISAS… um grande abraço

    • moan disse:

      oi,td bem?

    • Pingback: Computadores e desempenho escolar » Futuro Professor

    • Pingback: Educação a Distância (EAD) & e-Learning » Futuro Professor

    • Arlindo Fernando disse:

      Gostaria de adquirir as vossas materias

    • cenaless disse:

      Eu tenho andado a navegar pela Internet mas nem sempre conseguimos encontrar aquilo
      que procurávamos, mas eu encontrei aqui um blogue muito
      engraçado e conveniente, vou continuar a voltar para ir vendo as
      novidades

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *