Os estudantes da PUC-SP organizam uma paralisação de duas semanas nos dias 17 e 18 para protestar contra a diminuição de bolsas de estudo e a burocracia no processo de renovação dos benefícios. Liderado pelo coletivo de bolsistas e centros acadêmicos, o movimento orienta os alunos a não frequentarem as aulas e participarem de formações políticas, sessões de cinema e confecção de cartazes no campus.

Impasse sobre a oferta de bolsas e o Prouni

A principal reinvindicação dos universitários é o cumprimento do percentual histórico de 25% de bolsistas na graduação, meta que estaria abaixo da média desde a pandemia. Os alunos defendem que a Fundasp (Fundação São Paulo), mantenedora da PUC-SP, utilize recursos próprios para compensar a perda de incentivos federais.

Em contrapartida, a Fundasp afirma que o percentual atual supera os 22%, mantendo-se acima da exigência legal de 20%. A instituição explicou que a redução recente do Prouni ocorreu após uma correção do próprio sistema do MEC, que havia concedido por erro o dobro de vagas nos anos anteriores.

Os universitários também questionam por que a oferta do Centro Universitário Assunção, mantido pela mesma fundação, apresentou crescimento no mesmo período. A Fundasp rebatou o argumento, explicando que o centro possui menos de 10% do volume de auxílios da PUC-SP e que as gestões das vagas são totalmente independentes.

“Se você tem mais alunos pagantes, aí você tem possibilidade de oferecer mais bolsas” — Fundasp

A mantenedora ressalta que a ampliação de gratuidades próprias depende do orçamento e do número de matriculados pagantes.

Divergências no processo de renovação

A burocracia documental cobrada nas etapas de renovação é outro motivo de insatisfação. Os estudantes apontam prazos curtos e exigências excessivas para a comprovação socioeconômica contínua, argumentando que a Portaria nº 19/2008 do MEC prevê procedimentos simplificados após a concessão inicial.

A Fundasp defende a rigorosidade das análises para assegurar que os recursos beneficiem quem realmente cumpre os critérios legais de filantropia, aplicando parâmetros comuns ao ensino superior.

Próximos passos do movimento estudantil

O protesto atual é reflexo de articulações que já ocorrem há semanas no campus. Em setembro, a pressão dos alunos resultou na suspensão do contrato com a plataforma EducaOpen, que gerencialmente intermediaria o cadastro dos benefícios.

A mobilização abrange diversos centros acadêmicos, além de coletivos como o Saravá e o Bolsistas Da Ponte Pra Cá. Uma reunião entre os representantes dos alunos e a diretoria da Fundasp está agendada para sexta-feira, momento em que a pauta formal de reivindicações será entregue.

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