O acesso ao ensino superior exige escolhas bem pensadas quando o orçamento é limitado. Para muitos estudantes, recorrer ao financiamento estudantil é o único caminho viável para ingressar na graduação desejada.
Foi exatamente essa a opção de Maria Gabriela Vital, de 24 anos. Após enfrentar imprevistos burocráticos na comprovação de renda em uma universidade pública, ela encontrou na modalidade privada uma alternativa segura para cursar direito.
A decisão exigiu diálogo familiar e cálculos minuciosos. Ela combinou com o pai a divisão das parcelas para garantir que conseguiria quitar o saldo restante após a formatura.
Números e dados da educação no Brasil
Segundo dados do MEC (Ministério da Educação), as duas edições do Fies em 2026 tiveram mais de 127 mil inscritos. Cerca de 57% se autodeclaram pretos e pardos, e as regiões Nordeste e Sudeste concentraram os maiores números, com 51.054 e 42.455 candidatos, respectivamente.
O interesse do público jovem por essa alternativa de pagamento segue em alta. De acordo com a plataforma Pravaler, 67% dos alunos financiados pertencem à geração Z, com média de idade de 27 anos.
Além disso, a área de saúde domina a procura por crédito acadêmico. Das dez carreiras com mais novos contratos firmados em 2025, nove pertencem ao setor de saúde, liderado por medicina, seguido por direito, psicologia, enfermagem e medicina veterinária.
Análise de custo e retorno do investimento
Especialistas orientam que o planejamento deve começar muito antes da assinatura do contrato. O primeiro passo é verificar se a instituição e o curso escolhido justificam o compromisso financeiro de longo prazo.
“A educação traz retorno, mas ainda assim existem instituições e instituições. Por isso, vale fazer uma análise de qualidade do curso, infraestrutura, mercado de trabalho, de estabilidade da instituição, para saber se você está se endividando, começar a vida e fazendo uma dívida para um curso em uma instituição que vale a pena”, explica Yoshinaga.
A clareza sobre o rumo profissional também é fundamental antes de firmar o compromisso.
“O financiamento estudantil é uma decisão, a princípio, do que ele quer fazer pelos próximos quatro, cinco ou seis anos”, explica Rafael Piva, diretor de finanças e operações do Pravaler.
Projetando a remuneração futura e os juros totais
Outra etapa crucial é analisar a estimativa salarial do mercado logo nos primeiros anos após a formatura.
“Tem que fazer uma projeção bastante conservadora do início. Tem que olhar se, no começo, quando você tiver que pagar, o valor da prestação cabe dentro dessa remuneração inicial da carreira”, explica a professora.
Focar apenas na mensalidade é um erro comum que pode gerar endividamento precoce.
“Parte dos problemas que as pessoas têm ao se enrolar com esses financiamentos é olhar muito mais a taxa, o valor da prestação, e ignorar o valor total da dívida”, diz a professora da FGV.
Mesmo quando as taxas parecem atrativas, o montante principal precisa ser devolvido integralmente. Avalie carência, reajustes e encargos contratuais.
Custos adicionais além das mensalidades
A vida universitária envolve despesas indiretas que não podem ficar de fora da planilha de despesas diárias.
“Às vezes os alunos olham muito o valor da mensalidade e falam: ‘Não, eu consigo dar um jeito e pagar’. Mas existe uma série de agregados de custos que acabam entrando na conta”, afirma Piva.
Transporte, alimentação, moradia e compra de livros acadêmicos demandam uma parcela considerável da renda mensal do estudante.
Durante a graduação, Maria Gabriela utilizava quase todo o valor do estágio para quitar as parcelas do curso. Os custos de moradia e alimentação eram divididos com os pais.
Gestão financeira durante e após o curso
Olhando para trás, a profissional formada em direito e analista júnior de privacidade e cibersegurança identifica atitudes que teriam facilitado sua jornada.
“Eu teria pesquisado um pouco mais sobre formas de guardar dinheiro, porque antes eu ficava muito focada. Como não sobrava muito, eu pensava: ‘Poxa, não vou guardar esse pouquinho, vou aproveitar o pouco dinheiro que eu tenho’”, conta Maria Gabriela.
A criação de um fundo de emergência durante a faculdade ajuda a amortizar valores futuros ou lidar com eventuais imprevistos.
“Quanto mais você já conseguir guardar e investir e ter uma parte desse financiamento pagando um pouco menos, porque você conseguiu investir e está tendo rendimento em cima disso, seria o melhor dos mundos”, afirma Yoshinaga.
Para a jovem profissional, a decisão final precisa ser adaptada à realidade de cada família.
“A maior dica é pesquisar todos os pormenores possíveis para que essas pessoas entendam o quanto o financiamento cabe ou não na realidade delas”, conclui Maria Gabriela.
O que avaliar antes de contratar um financiamento estudantil
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Pesquise o curso e a instituição: Avalie a qualidade da graduação, a infraestrutura, a empregabilidade no mercado e a média salarial no início da carreira.
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Faça contas realistas: Projete rendimentos futuros com dados conservadores e certifique-se de que a parcela caberá no seu orçamento mensal.
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Examine o custo total da dívida: Vá além do valor da prestação e confira taxas de juros, prazo de carência, seguros e reajustes contratuais.
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Mapeie gastos secundários: Inclua custos extras na planilha como alimentação, transporte público ou combustível, materiais de estudo e moradia.
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Procure alternativas e crie reservas: Compare o crédito com bolsas de estudo e tente construir uma reserva financeira ao longo da graduação para cobrir emergências.