Educação

Desempenho do Brasil no Pisa: país estagna e avança em IA

Os resultados recentes do desempenho do Brasil no Pisa revelam que o país continua entre as nações com piores índices educacionais do planeta.

A prova é organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia estudantes de 15 anos.

Na edição de 2025, o país ficou na 52ª posição em leitura, 57ª em matemática e 67ª em ciências, entre 91 participantes.

Na estreia da avaliação de resolução de problemas computacionais, a educação nacional amargou a 69ª colocação.

Comparativo do rendimento na América Latina

Dentro do continente latino-americano, o rendimento brasileiro também permaneceu abaixo de vizinhos regionais.

Chile, Uruguai e Costa Rica obtiveram pontuações superiores às brasileiras em todas as quatro áreas avaliadas.

O Brasil registrou 409 pontos em ciências, 408 em leitura, 377 em matemática e 406 em problemas computacionais.

Para efeito de comparação, o Chile alcançou 442 em ciências, 436 em leitura, 403 em matemática e 466 na área computacional.

Entre os 13 países da região analisados, o Brasil ficou atrás de até 7 nações a depender do quesito testado.

Histórico de evolução e liderança mundial

A comparação direta com a edição de 2022 mostra oscilações sutis nas notas nacionais.

Em ciências, a média subiu de 403 para 409 pontos. Em contrapartida, houve queda em leitura (de 410 para 408) e em matemática (de 379 para 377).

A área de tecnologia não permite comparações anteriores por ter sido incluída apenas no exame atual.

Os destaques globais da edição

As melhores notas globais continuam concentradas no Leste Asiático.

China e Cingapura lideraram simultaneamente os rankings de ciências, leitura e matemática.

Quando somada a resolução de problemas computacionais, Macau e Japão também integraram o topo da lista.

Como funciona a aplicação do exame

A avaliação do Pisa ocorre a cada três anos por meio de provas padronizadas aplicadas mundialmente.

A edição de 2025 reuniu 760 mil jovens, representando uma amostragem de 33 milhões de estudantes.

O exame mede o nível de proficiência dos alunos e calcula pontuações médias individuais para cada disciplina.

O impacto do uso da inteligência artificial nas escolas

Pela primeira vez, a pesquisa investigou a rotina dos alunos com robôs de inteligência artificial no ambiente escolar.

Cerca de 86% dos jovens declararam já ter utilizado chatbots, como o ChatGPT, para auxiliar nos estudos.

As tarefas mais comuns incluem pedir ajuda para aprender, fazer pesquisas preliminares, redigir rascunhos e resumir leituras.

O comportamento dos estudantes brasileiros com IA

No Brasil, 48% dos alunos usam inteligência artificial semanalmente como apoio aos estudos, superando a média global de 46%.

Outros 40% recorrem à ferramenta para pesquisas prévias sobre novos temas acadêmicos, contra 31% na média da OCDE.

Além disso, 31% dos brasileiros resumem textos com a tecnologia e 27% a utilizam para criar rascunhos.

Relação entre tecnologia e rendimento escolar

O estudo mostrou que estudantes que usam a tecnologia de forma moderada obtêm resultados ligeiramente superiores aos que usam em excesso ou raramente.

Apesar disso, o relatório ressalta que não é possível afirmar que a ferramenta seja a causa direta da melhora no rendimento.

A pesquisa também apontou desigualdade social: alunos de menor renda usam menos a ferramenta por restrições de acesso, enquanto seis em cada dez jovens relataram ter recebido orientação escolar para checar informações geradas por IA.

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