A busca por rápida inserção no mercado e por uma formação focada na prática tem levado cada vez mais estudantes ao ensino técnico.

Dados do Censo Escolar revelam um crescimento expressivo nessa modalidade no Brasil, superando a marca de 3,1 milhões de alunos.

Esse resultado representa uma alta de 24% em relação ao ano anterior. A maior parte dessas matrículas concentra-se nas redes públicas de ensino.

A influência da família e os primeiros passos

A convivência diária com os pais, que trabalham na indústria, inspirou a escolha de Kaique Medeiros, de 17 anos.

O jovem decidiu cursar biotecnologia no Senai enquanto conclui o ensino médio tradicional no Sesi.

Para ele, a experiência abriu portas e mudou sua visão sobre o futuro.

“O ensino técnico foi um divisor de águas na minha trajetória.”

Como funciona a estrutura do ensino técnico

Diferente de cursos livres e de curta duração, a formação técnica é totalmente regulamentada pelo MEC.

Sua estrutura precisa seguir as diretrizes do catálogo nacional de cursos da categoria.

No Brasil, a legislação prevê três formatos principais de organização para essas turmas.

O aluno pode optar pelo modelo integrado, no qual a formação geral e a técnica ocorrem na mesma instituição.

Outra alternativa é a modalidade concomitante, que mantém duas matrículas distintas ao mesmo tempo.

Por fim, há o formato subsequente, indicado para quem já concluiu o ensino médio e quer focar na especialização.

A rotina entre a sala de aula e o laboratório

Grande parte dos alunos da educação profissional está concentrada no ensino médio, totalizando mais de 1,2 milhão de pessoas.

Nas redes públicas, os cursos técnicos vinculados ao ensino médio tradicional já respondem por 20% do total de matrículas.

Na rotina de Kaique, a grade exige o cumprimento das matérias da BNCC ao lado das disciplinas da profissão.

Semanalmente, o estudante divide suas tarefas entre as aulas no Sesi Tatuapé e as práticas no Senai Bom Retiro, na capital paulista.

Cássia Cruz, gerente de educação do Senai-SP, detalha a relação entre a formação geral e o diploma.

“O nível de formação por curso técnico é equivalente ao nível de conhecimento que se tem que ter para conseguir desenvolver as competências previstas.”

Ela destaca que disciplinas como ciências e linguagens não são ensinadas de forma isolada.

Elas ganham aplicação direta na rotina profissional, abordando desde a comunicação corporativa até o cálculo de medidas exatas.

Adaptação ao mercado e aprendizado prático

A transição para o universo profissional acontece em etapas graduais.

Roberto Xavier, gerente executivo de educação do Sesi-SP, explica o funcionamento dessa fase inicial.

“A aprendizagem [no ensino técnico] fica mais significativa porque o aluno consegue aplicar o conhecimento e entende onde aquilo conversa com o ambiente profissional”

No primeiro ano, os estudantes aprendem a criar planos de negócios, treinam entrevistas e conhecem termos do setor.

A partir do segundo ano, a rotina ganha ritmo intenso dentro dos laboratórios.

O professor Hugo Ribeiro, do Centro Paula Souza, defende o método focado em resolver problemas reais.

Impacto na escolha da faculdade

Muitos acreditam que o curso técnico pode atrapalhar ou limitar a entrada na faculdade.

Na prática, os dados mostram o oposto: a taxa de aprovação no ensino superior entre alunos do técnico integrado é quase o dobro.

“O ensino técnico ajuda a tomar decisões mais acertadas em relação ao ensino superior, porque o aluno já sabe as áreas em que quer se aprofundar ou não”

Foi exatamente isso o que aconteceu com Kaique durante as aulas.

Inicialmente, seu objetivo era usar a biotecnologia para atuar na área de perícia criminal.

Com o passar do tempo, ele percebeu maior afinidade com as ciências exatas.

“Fui descobrindo que tenho preferência e facilidade maior com o conteúdo de química, e foi para onde decidi seguir depois.”

Agora, o jovem quer ingressar na indústria química e continuar os estudos em uma faculdade.

Ele reconhece que a jornada dupla exige foco, mas entende o valor desse empenho antecipado.

“É sobre se preparar para o vestibular enquanto faz o técnico. É um pequeno esforço agora para que no futuro você não tenha que se esforçar tanto.”

Oportunidades de isenção em escolas e faculdades de SP

Estudantes de São Paulo podem aproveitar prazos para solicitar isenção ou desconto nas taxas de inscrição de processos seletivos.

Nas Fatecs, candidatos ao vestibular do primeiro semestre de 2027 têm até 11 de setembro para pedir o benefício.

A taxa integral da prova é de R$ 90, e os formulários de inscrição ficam disponíveis entre 14 de setembro e 6 de novembro.

O desconto total atende quem concluiu ou vai concluir o ensino médio em 2026, incluindo turmas de EJA e CEEJA.

A renda familiar bruta do candidato não deve ultrapassar dois salários mínimos.

Já a redução de 50% na taxa atende estudantes de diversos níveis de ensino que estejam desempregados ou com renda similar.

Nas Etecs, o prazo para pedir desconto de 50% na taxa de R$ 50 encerra-se no dia 1º de setembro.

O pedido deve ser feito diretamente no site oficial da instituição.

A lista de contemplados sai em 15 de setembro, data a partir da qual as inscrições para o vestibulinho devem ser confirmadas até 3 de novembro.

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