A falta de apoio às estudantes que passavam pela primeira menstruação na escola motivou uma mudança profunda em Manacapuru, no Amazonas. O professor de biologia Galileu da Silva Pires criou o Projeto Jaci para acolher e orientar adolescentes que enfrentavam a pobreza menstrual na região. O foco inicial eram palestras e rodas de debate para combater o preconceito e a desinformação.

A iniciativa ganhou força e evoluiu para a iniciação científica no ensino médio, gerando ideias inovadoras no laboratório da Escola Estadual José Mota. Quatro estudantes do primeiro ano desenvolveram protótipos de absorventes com fitas reagentes que monitoram a saúde feminina, além de um dispositivo automatizado para a distribuição dos itens.

O projeto levou o professor a ser finalista no Global Teacher Prize, considerado o Nobel da educação. Empolgadas com a ciência, as jovens agora criam aplicativos e criam soluções sustentáveis, como filtros de água com ossos de pirarucu. O maior sonho do grupo é conquistar bolsas de estudo internacionais na área de tecnologia.

O cenário nacional das feiras de ciências

A mobilização em torno da ciência jovem ganha espaço em todo o território nacional, motivando estudantes de diversas idades. A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, organizada pela USP, consolidou-se como a principal vitrine para esses trabalhos acadêmicos da educação básica.

O evento tem como meta principal aproximar a educação básica do ambiente universitário por meio do intercâmbio de conhecimentos. Essa integração estimula o surgimento de novos pesquisadores e renova as propostas curriculares das redes de ensino.

Números da produção científica escolar

  • Projetos finalistas na edição de 2026 da Febrace: quase 300 trabalhos selecionados.

  • Total de pesquisas apresentadas desde a criação do evento em 2003: cerca de 7,2 mil propostas.

  • Bolsas de iniciação científica destinadas ao ensino médio pelo CNPq: 5.600 auxílios ativos.

Pontes entre universidades e escolas públicas

Para incentivar essa conexão, o governo federal mantém o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio. Algumas instituições expandem esses investimentos por conta própria, como a Universidade Federal do Pará, que financia bolsas extras com recursos de seu orçamento.

A UFPA também aposta em ações afirmativas para incluir jovens negros, indígenas e quilombolas no universo acadêmico. O reitor Gilmar Pereira da Silva defende que o diálogo permanente com a rede pública ajuda os estudantes da periferia a enxergarem a universidade como um espaço possível.

Na USP, pesquisadores enfrentam o desafio de conciliar suas rotinas carregadas com a mentoria de alunos de escolas estaduais da Baixada Santista. Os encontros semanais acontecem no período noturno e em formato virtual, abrindo as portas dos laboratórios para que os jovens conheçam a prática científica.

Experiências de sucesso na rede privada

Em instituições privadas com infraestrutura robusta, os programas de incentivo à pesquisa colhem frutos consolidados há décadas. No Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, o programa Cientista Aprendiz envolve centenas de alunos e gera patentes e prêmios internacionais em parceria com a Fiocruz.

A direção do colégio destaca a importância da longevidade dos projetos para evitar iniciativas passageiras que esbarram em falta de verba. Para divulgar a produção dos estudantes, a escola promove uma feira anual aberta a comunidades externas, atraindo milhares de visitantes.

No Paraná, a Rede Bom Jesus aplica a iniciação científica em suas dezenas de unidades como um diferencial para o ingresso em universidades do exterior. O programa foca na autonomia dos jovens e promove feiras internas integradas que reúnem centenas de trabalhos focados em problemas reais da sociedade.

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