Uma intensa mobilização de estudantes da PUC-SP interrompeu a implementação do EducaOpen no sistema de concessão e renovação de bolsas de estudo da universidade.
A decisão de suspender a ferramenta partiu da Fundasp, mantenedora da instituição.
Com o recuo, o processo de avaliação socioeconômica retorna temporariamente ao modelo tradicional.
Preocupações com privacidade e dados
A ferramenta planejada utiliza a tecnologia do Open Finance para consultar as informações bancárias dos candidatos.
Para os alunos, a novidade levantou dúvidas sobre a extensão do acesso aos seus dados financeiros e a transparência do processo.
A reitoria se manifestou por meio de nota oficial para avaliar o cenário.
“reconhece o legítimo direito de manifestação dos estudantes e reafirma sua defesa do diálogo produtivo como forma de endereçar os impasses existentes”
Como funciona a plataforma EducaOpen
O Open Finance é uma estrutura regulamentada pelo Banco Central do Brasil para o compartilhamento de dados financeiros entre instituições.
A Fundasp alegou que o projeto Bolsa Conecta visava apenas agilizar o processo, sem custos extras e sob a análise de assistentes sociais do Sabe, sem uso de inteligência artificial.
A empresa desenvolvedora do software, fundada por um ex-bolsista da PUC-Rio, defendeu a segurança do modelo.
“Em vez de coleta manual de documentos, utiliza-se a infraestrutura do Open Finance, regulada pelo Banco Central, que exige consentimento expresso e transparente e observa a LGPD”
Questionamentos sobre prazos e consentimento
Apesar das garantias, os alunos apontam falta de diálogo prévio e divergências sobre o tempo de acesso às contas bancárias.
Relatos da apresentação inicial indicavam permissões de acesso que variavam entre três, seis e até 12 meses.
A EducaOpen confirmou que a regulamentação permite compartilhamentos por até 12 meses, conforme a escolha da instituição, mas garantiu que o aluno pode optar pelo envio manual de documentos.
Críticas ao canal de comunicação e exigências
A insatisfação aumentou após o envio de uma mensagem via WhatsApp pela Fundasp aos bolsistas.
O texto atribuía o fim do projeto a uma decisão da comunidade, o que foi interpretado pelo movimento como uma tentativa de dividir os estudantes.
Além do aplicativo, os universitários criticam a burocracia do formato atual.
Exigências como cartas detalhando vulnerabilidade e prazos reduzidos são apontadas como abusivas.
Possibilidade de paralisação nas próximas semanas
A articulação envolve sete entidades estudantis e diversos grupos de apoio do campus.
Os alunos agora organizam assembleias para definir o futuro do movimento e não descartam uma greve.
Caso a plataforma seja reintroduzida sem debate, a decisão de paralisar as atividades da universidade ganhará força.
A prioridade do movimento é garantir transparência total e participação direta em qualquer mudança futura na concessão de bolsas.